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Serviços Financeiros

Setor financeiro em transformação

Sócio-líder Ricardo Anhesini comenta a desmaterialização de tecnologia nas instituições.

16 de janeiro de 2019
Ricardo Anhesini

O sistema financeiro vem protagonizando uma série de transformações em seus modelos de negócios, marcadas especialmente pelo avanço tecnológico, disponibilidade de ferramentas para inovação e mudanças no comportamento dos clientes.

O sócio de Serviços Financeiros da KPMG no Brasil e na América Latina, Ricardo Anhesini, destaca dois momentos que ele considera importantes para entender as mudanças desse mercado.

O primeiro deles foi o período pós-crise de 2008. "Os bancos, por questões regulatórias, passaram a entregar uma modelagem de serviços distinta daquela que vinham praticando até então. Isso fez com que essas instituições, de certa forma, sacrificassem rentabilidade, crescimento, top line e foco em marketshare”, explica. Anhesini comenta, ainda, que essa grande onda de transformação operacional, com componentes de tecnologia bastante relevantes, simplificou processos e buscou proteger a margem operacional dos bancos.

O sócio relata que o outro aspecto relevante para a transformação dos modelos de negócio foi a própria demanda do consumidor. “Eu costumo repetir que os grandes drivers da inovação dentro de qualquer indústria, e em especial a de serviços financeiros, são a expectativa, a experiência, o pedido do cliente para seu provedor de serviços e a tecnologia disponível.”

Desmaterialização da tecnologia

Para melhorar a experiência do cliente, as organizações vêm transformando a operação e distribuição dos seus produtos e serviços de modo a oferecer maior eficiência e respostas mais rápidas a um custo competitivo.

Cada vez mais os processos serão realizados digitalmente, com os componentes físicos caindo para segundo plano, já que a robotização e a utilização da inteligência artificial aceleram os processos operacionais nas organizações.

O uso de cloud já faz parte da realidade de gestão e utilização dos dados. Com essa ferramenta de armazenamento e processamento não física, as transações se tornam mais inclusivas e personificadas. Já em longo prazo, o blockchain deve promover uma importante desintermediação nas relações de produtos financeiros e as organizações financeiras.

Vale ainda destacar que, nesse cenário de transformações, surgem as competitivas startups. Essas empresas não carregam, necessariamente, sistemas legados, operações maduras ou gerenciamentos de aquisições e, por isso, oferecem agilidade na execução dos próprios negócios. O sócio destaca que as startups também incentivam a inovação e são alternativas de experiência para os consumidores.

Big Data

Para Ricardo Anhesini, o Big Data se tornou a nova moeda no mundo digital, a matéria-prima para as transformações que vêm ocorrendo, já que uma base de dados estruturada possibilita melhor gerenciamento e direcionamento dos negócios.

Nesse contexto, os investimentos do setor passam a se solidificar também com a proteção de dados do usuário e a segurança cibernética. No setor de serviços financeiros, as informações sigilosas são a base das transações. Portanto a iniciativa é necessária para garantir que os negócios sejam feitos com ética, respeito às leis e à individualidade do cliente.

Perspectivas

A KPMG desenvolveu o estudo 30 Vozes em 2030 para compreender o cenário dos serviços financeiros num futuro não tão distante. A publicação traz simulações do setor em diversos aspectos, como a estrutura de administração das organizações, os modelos de negócio e a evolução do consumidor, entre outros.

“Para complementar o estudo, buscamos vários participantes do mercado com reconhecida experiência em processo de transformação nas organizações que lideram”, comenta Anhesini.

O sócio destaca ainda três indicadores de bons serviços bancários no futuro:

1 – Transações executadas em uma única página de um aplicativo.
2 – Serviços personalizados e customizados para o indivíduo.
3 – Inclusão.

“No mundo, hoje, existem 2 bilhões de seres humanos que não têm acesso a serviços bancários. Dessa população, muitos são consumidores e poderiam estar fazendo suas transações por meio de instituições financeiras”, ressalta. “Um serviço de grande qualidade em 2030 teria essa característica, personificado e de fácil acesso, promovendo inclusão social", conclui.

No podcast a seguir, Ricardo Anhesini comenta mais sobre o assunto. Confira:

 

 

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