You are not allowed to view this news

Mercados Industriais

Na onda da revolução tecnológica

Executivos do setor automotivo precisam repensar seus modelos de negócios, aponta estudo.

13 de fevereiro de 2019
GAES

À medida que a indústria automotiva global avança em seu processo de reestruturação, seus executivos, a exemplo dos últimos três anos, permanecem elegendo a conectividade e a digitalização como temas relevantes na Global Automotive Executive Survey (GAES), elaborada pela KPMG, que nesta edição completa seu vigésimo aniversário.

A pesquisa mostrou que os executivos acreditam que fortes mudanças na indústria são iminentes e que os players precisam continuar valorizando suas competências tradicionais enquanto definem seus posicionamentos estratégicos para o futuro ecossistema do setor. No entanto os resultados também mostram que a maioria dos executivos demonstra um pouco de receio de que a lucratividade das empresas automotivas possa diminuir.  Por isso não é coincidência que estudos disruptivos sobre novas linhas de negócio e novas formas de relacionamento com os consumidores são um must nas suas agendas.

Aline Dodd, líder Europa da KPMG para o setor Automotivo, fala sobre as incertezas nesse processo de transição de modelo de negócio. “Não existe apenas uma resposta global, e o setor está atualmente funcionando como um conjunto de ilhas distintas, mas conectadas. As entidades irão passar por mudanças, unir-se a outras empresas e transformar-se à medida que o setor aderir à revolução tecnológica. A maioria das montadoras que participou do estudo acredita que é capaz de gerenciar um serviço em modelo de plataforma para oferecer serviços de mobilidade. A KPMG tem uma opinião diferente, pois acredita que será muito desafiador para os players convencionais, baseados em ativos, tomarem o lugar das gigantes de tecnologia e competirem com elas pelas oportunidades de mobilidade orientada por software”, explica.

Mobilidade

As expectativas por um ecossistema de mobilidade e logística estão aumentando: os executivos, mais do que nunca, (60%), concordam que no futuro não diferenciaremos mais o transporte de pessoas do transporte de mercadorias. "Uma coisa está clara: nenhum player será capaz de gerenciar esse ecossistema por conta própria. Existe uma conscientização entre os executivos, com 83% deles concordando, que com o surgimento do que chamamos de mobi-logística as empresas precisarão tanto repensar seus modelos de negócios quanto reconhecer a necessidade de cooperação para a criação de um ecossistema de mobilidade. A empresa que oferecer a melhor experiência aos consumidores provavelmente dominará a plataforma", comenta a líder.

Tecnologia de propulsão

Outro ponto relevante destacado pela líder global foi a importância de se manter a matéria-prima na agenda tecnológica para o futuro. Aline explicou que o acesso à matéria-prima determinará o desenvolvimento dos ecossistemas de mobilidade em cada país.

O líder para o setor automotivo da KPMG no Brasil, Ricardo Bacellar, também esteve no evento e comentou sobre as tecnologias de propulsão dentro da realidade brasileira. “As tendências globais indicam uma adoção em larga escala dos veículos a bateria, mas no Brasil precisamos olhar para o uso do etanol em veículos híbridos e de células de combustível, pois serão mais adequados para nossa infraestrutura de “recarga” (reabastecimento) atual.”

Aline Dodd
Ricardo Bacellar

Outros aspectos relevantes na pesquisa

- Os países tendem a fundamentar as decisões sobre matriz energética de suas frotas baseados na oferta local de matérias-primas, com os Estados Unidos focando em motores a combustão interna e veículos elétricos de célula de combustível, enquanto a China manterá fortes investimentos em mobilidade elétrica.

- A cadeia de distribuição (concessionárias) representa um foco bastante relevante desta transformação. O estudo aponta (pelo segundo ano consecutivo) que o número de lojas será reduzido (ou convertido para outros serviços) em um percentual de 30% a 50% até 2025.

- Nenhum player dominará a cadeia de valor sozinho – cooperação entre eles é assunto mandatório. Não por coincidência, diversos anúncios recentes têm tomado o noticiário, e a tendência é que, em futuro próximo, o número de concorrentes discutindo formas diversas de parceria tende a aumentar de maneira significativa.

- A maioria dos consumidores declara seu desejo de comprar um veículo híbrido como seu próximo automóvel.

O estudo completo está disponível através de uma plataforma interativa e com possibilidade de acesso personalizado. Para ler o estudo completo, clique aqui.

Realidade brasileira

O líder para o setor automotivo da KPMG no Brasil, Ricardo Bacellar, anunciou, junto com o presidente da Autodata, Márcio Stefani, o lançamento do capítulo brasileiro da pesquisa Global Automotive Executive Survey.

Dada a relevância do Brasil para o setor, essa foi a primeira vez que uma unidade da KPMG recebeu autorização para realizar um capítulo nacional do estudo. “Identificamos que temos base de conhecimento para desenvolver a pesquisa localmente. Em um esforço coletivo, podemos impactar executivos e consumidores, e isso representa muito para a indústria”, comentou Bacellar.

A pesquisa contará com a participação de profissionais e consumidores. Os resultados serão apresentados em Seminário da Autodata, que será realizado em junho, momento em que a indústria começa a pensar nas perspectivas para o próximo ano.

Nenhum ()