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Revista

Crescer e gerar valor - Edição 44

1 de dezembro de 2018

Existe uma tendência de confiança e otimismo entre as empresas familiares brasileiras. Esta é a principal mensagem presente na terceira edição da pesquisa “Retratos de Família”, conduzida pela KPMG entre os meses de abril e junho de 2018, com 217 empresas familiares de 19 estados do País.
De acordo com o levantamento, 70% das empresas familiares brasileiras acreditam que a situação econômica do próprio negócio deverá melhorar nos próximos três anos; 23% estão neutras, e apenas 7% estão pessimistas.

O clima de maior confiança vem se refletindo na manutenção dos postos de trabalho: 38% das empresas consultadas informaram ter mantido a quantidade de funcionários no período; 37% disseram ter ampliado seus quadros e apenas 25% relataram uma diminuição no número de empregados. Em 2016, os resultados foram praticamente inversos: naquele momento, quase 50% das empresas haviam diminuído seus quadros, e apenas 19% disseram ter aumentado o número de funcionários. O mesmo movimento foi observado na edição europeia da pesquisa, intitulada Family Business Barometer: 41% dos respondentes europeus afirmaram ter ampliado o número de colaboradores, enquanto 41% mantiveram a quantidade de funcionários no último ano.

A análise da receita histórica mostra que 56% das empresas aumentaram a receita no último semestre, enquanto 25% se mantiveram estáveis e 19% sofreram redução. Esses dados também estão alinhados com a pesquisa europeia, onde 57% reportaram aumento. Em relação ao perfil dos respondentes, em 65% dos casos eles se disseram membros da família proprietária. Outros 30% ocupam cargos de diretoria, enquanto 3% integram o Conselho de Administração ou o Comitê de Auditoria. Os 2% restantes desempenham papel de gestor. Os setores mais bem representados foram: agronegócio (19%); serviços (12%); atacado e varejo (12%); construção (9%); consumo (exceto atacado e varejo, 8%); bens industriais (6%); saúde e ciências da vida (6%); e transporte (5%).
Em relação ao faturamento anual, 35% das empresas faturam entre R$ 100 milhões e 499 milhões, 23% até R$ 49 milhões e 19% faturam mais de R$ 1 bilhão. O conteúdo da pesquisa foi elaborado em conjunto com a Fundação Dom Cabral.

Ainda sobre o perfil das empresas pesquisadas, 18% delas têm até 20 anos de existência, 40% têm entre 21 e 40 anos, 28% entre 41 e 70 anos e 14% ultrapassa a casa dos 70. Essa informação reflete a juventude do próprio País e, de certa forma, das gerações à frente da empresa familiar: 43% já são comandadas pela segunda geração, contra 31% da primeira geração e 19% de “netos dos fundadores” – ou seja, terceira geração.

Otimistas, porém cautelosas

Apesar do otimismo e da disposição para investir, crescer e gerar empregos, a empresa familiar brasileira continua reticente ante as incertezas políticas e econômicas. Essas foram as principais preocupações mencionadas por 61% dos respondentes. Em segundo lugar, com 48% das respostas, aparece o temor pela redução na lucratividade, enquanto 29% temem a redução nas vendas e 26% receiam não conseguir reter talentos.Quando questionados sobre seus temores em relação aos próximos três anos, novamente aparece a incerteza política (59%), a redução dos lucros (48%) e os desafios trazidos pela disrupção tecnológica (34%).

Otimistas, porém cautelosas

Apesar do otimismo e da disposição para investir, crescer e gerar empregos, a empresa familiar brasileira continua reticente ante as incertezas políticas e econômicas. Essas foram as principais preocupações mencionadas por 61% dos respondentes. Em segundo lugar, com 48% das respostas, aparece o temor pela redução na lucratividade, enquanto 29% temem a redução nas vendas e 26% receiam não conseguir reter talentos.
Quando questionados sobre seus temores em relação aos próximos três anos, novamente aparece a incerteza política (59%), a redução dos lucros (48%) e os desafios trazidos pela disrupção tecnológica (34%).

Rapidez nas decisões

A capacidade de tomar decisões de maneira rápida e flexível foi a característica positiva mais apontada pelos respondentes: 54% disseram ser este o ponto forte de sua empresa; 42% mencionaram marca forte ou presença de mercado; 40% citaram o bom atendimento ao cliente; 33% enalteceram a capacidade empreendedora de seus quadros; 22% destacaram o compartilhamento de valores e cultura; 19% deram destaque ao engajamento dos colaboradores; 14% apontaram a robustez financeira e facilidade no acesso ao capital e, por fim, a visão de longo prazo foi citada por 13%, percentual quase idêntico ao obtido pelo item “foco no core business”. A capacidade técnica, por outro lado, não foi apontada como ponto forte por nenhum dos respondentes.

Ao serem questionadas sobre quais mudanças mais beneficiariam o seu negócio, as empresas brasileiras mencionaram principalmente a redução de impostos (18%), a flexibilização das leis trabalhistas (18%), a legislação fiscal mais simples (14%) e o maior acesso ao crédito (13%). A principal mudança nos indicadores deste ano, em comparação às edições anteriores, foi que, em 2016, a redução de impostos havia sido lembrada por 31% dos respondentes, e, em 2017, por 22%. Para os europeus, as mudanças mais positivas seriam: legislação trabalhista mais flexível (39%) e redução da carga administrativa (33%).

Governança corporativa

Manter boas práticas de governança corporativa é uma missão priorizada por 85% das empresas respondentes, percentual idêntico ao das empresas que apontam como “fundamental” a manutenção da harmonia e da comunicação entre as gerações da família. O grau de preparação e capacidade demonstrado pelos sucessores foi citado por 82%.
Ainda no campo da gestão, 42% das empresas que participaram da pesquisa contam com um Conselho de Administração. Em metade dos casos, a Diretoria Executiva é composta por membros da família (53%) e, em 85% das organizações, o diretor-presidente também faz parte da família. Além disso, 64% das empresas respondentes afirmaram ter um Código de Ética e 46% dispõem de um canal para receber denúncias anônimas de fraudes, ilegalidades e atos em desacordo com as normas. No que tange à sucessão, mais da metade (55%) diz que há familiares da próxima geração interessados em gerir a empresa, mas apenas 13% acreditam que a próxima geração esteja suficientemente preparada para o desafio - 30% afirmaram desconhecer se as novas gerações terão ou não interesse em permanecer na empresa.
As características valorizadas para a escolha do sucessor são: conhecimento do negócio e da empresa (56%); comprometimento com o sucesso do negócio (50%) e capacidade de negociação e de articulação entre a empresa e a família (42%). Com o objetivo de formar sucessores bem preparados, 41% dos respondentes disseram priorizar que as novas gerações trabalhem na empresa desde cedo, 32% priorizam a formação em escolas de primeira linha e 30% manifestaram confiança na realização de coaching com especialistas (30%). Ainda em relação à interação da família com o negócio, 56% das empresas pesquisadas têm até três membros da família atuantes no negócio; 22% têm entre quatro e cinco membros; 16% contam com mais de cinco membros e apenas 6% não têm nenhum familiar atuando no dia a dia do empreendimento.
A pesquisa apontou que dois atributos empatam como “mais desejáveis” nos membros independentes do Conselho de Administração. São eles: expertise financeira e o conhecimento em planejamento estratégico (46%). Em seguida, com 44%, foi citada a experiência anterior como gestor ou conselheiro em empresas familiares.

Não há expectativa de mudança na estrutura societária de 43% das empresas participantes. Este percentual é significativamente menor do que o percebido nos anos anteriores: 84%, em 2017, e 87%, em 2016. Nas edições anteriores, a venda da empresa era cogitada por apenas 6% dos respondentes. Em 2018, o percentual alcançou 16%.

O futuro já chegou

A terceira edição da pesquisa Retratos de Família reafirma algumas percepções, por exemplo, a de que a expectativa de manter o negócio dentro do âmbito familiar ainda é forte – e aponta otimismo com o aumento de receita e lucros. Também indica que, apesar de temer as turbulências políticas e econômicas, os empreendedores familiares permanecem confiantes e querem crescer.

A receptividade dos respondentes ao tratar de questões como a transferência da propriedade da empresa para a geração seguinte, a venda do negócio e a chegada de um investidor institucional demonstram que a empresa familiar está disposta a crescer, ampliar investimentos e, principalmente, a gerar valor para as futuras gerações.

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