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Inclusão e Diversidade

Os 50 anos do Stonewall Inn

A marcha do Orgulho LGBT+ celebra o marco inicial do ativismo LGBT.

7 de junho de 2019
Fachada de um bar de tijolos com flores como homenagem em sua entrada

Por: Ramon Jubels

 

Este ano, a marcha do Orgulho LGBT+ celebra o cinquentenário da rebelião no Stonewall Inn, que começou em 28 de junho de 1969, em um bar de Manhattan, Nova York, nos Estados Unidos, marcando o início do ativismo LGBT+.

Até 1962, qualquer prática homossexual era considerada crime nos Estados Unidos, e a pena poderia ser um longo período em regime fechado, trabalhos forçados ou até a morte.

Felizmente, na década de 60 o país promoveu avanços sociais que também revolucionaram o movimento LGBT+, até então muito oprimido, marginalizado e sem proteção legal.

O Stonewall Inn era o maior estabelecimento na cidade de Nova York que aceitava gays e lésbicas e, por isso, as batidas policiais eram frequentes, assim como as prisões de funcionários e clientes. Até o dia em que os frequentadores disseram "não mais" e foram à luta.

Naquele 28 de junho, eram pouco mais de 200 pessoas no bar quando as luzes foram acesas, a música desligada e as saídas fechadas. Haveria prisão. O desconforto se transformou em resistência e, rapidamente, essa resistência cresceu para uma revolta organizada na noite seguinte e em várias noites posteriores. O intuito da resistência era que gays e lésbicas pudessem frequentar os lugares sem medo de serem perseguidos e presos.

A primeira marcha de Orgulho Gay foi organizada em Nova York, no ano seguinte, para celebrar a revolta no Stonewall Inn.

O ativismo LGBT+ havia nascido. Nascido para se eternizar!

Organizações ativistas gays foram formadas, jornais criados e nos anos seguintes os direitos gays passaram a ser defendidos nos Estados Unidos e no resto do mundo.

Inclusive no Brasil, em 1983, mulheres lésbicas proibidas de vender panfletos de luta e liberdade sexual reagiram e organizaram um levante no Ferro’s Bar, em São Paulo, episódio que ficou conhecido por ativistas como o ‘Stonewall’ brasileiro.
 

Aliás, por que falamos em orgulho?

Precisamos falar em orgulho porque a sociedade – famílias, professores, colegas de escola e do trabalho –, o mundo ao nosso redor ainda faz com que as pessoas LGBT+ sintam vergonha por serem quem são.

Isso causa um impacto negativo imenso na vida dessas pessoas.

O poder da influência das mais diversas culturas pode levar à crença de que algo está errado e que há menos valor em se deixar conhecer. Diante disso, muitos escondem quem verdadeiramente são.

Propagar o orgulho é uma das respostas a essa situação.

 

E por que queremos falar em inclusão?

Queremos falar em inclusão porque, apesar dos avanços percebidos nessas últimas cinco décadas, ainda há um longo caminho a ser percorrido.

Pesquisa recente feita pela Santo Caos, consultoria especializada em engajamento, mostra que 33% das empresas não contratariam LGBTs+ para cargos de chefia.

Em 2017, 445 LGBTs+ foram mortos por crimes de ódio, segundo a Mais Diversidade Consultoria. Em 2011, pai e filho foram atacados por estarem abraçados, em São João da Boa Vista (SP). Os agressores – 20 jovens – acharam que se tratava de um casal gay.

 

Por que queremos falar em inclusão na KPMG?

Porque, obviamente, consideramos que incluir a diversidade é a coisa certa a fazer. O único caminho humanitariamente viável.

Porém, comprovadamente, um ambiente inclusivo reflete-se de maneira positiva nos resultados de uma empresa, porque melhora a produtividade das pessoas que se sentem à vontade para serem quem são e se assumirem.

Também melhora o engajamento de pessoas LGBT+ e de seus aliados. Melhora a imagem da empresa para atrair futuros talentos. Fortalece a marca ou pelo menos evita danos irreparáveis de reputação. E, ao estabelecer a pluralidade de pensamento, estimula a inovação.

Ou seja, criar um ambiente inclusivo deve ser objetivo para qualquer empresa que procura maximizar o retorno para os seus stakeholders.

A sociedade é diversa. Querendo ou não, todos os seus participantes têm uma voz. As estatísticas mostram que a empresa inclusiva é mais inovadora e tem melhores resultados. Para a KPMG, a inclusão é crucial para a sua estratégia de buscar os melhores talentos do futuro.

Foi por tudo isso que a KPMG criou o Voices, pilar LGBT+ no Comitê de Inclusão e Diversidade, que, além de atuar em defesa desta causa, atua também nas questões de gênero, raça e pessoas com deficiência.

A KPMG também assinou os 10 compromissos do Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+ e trabalha proativamente na inclusão tanto dentro da firma, criando um ambiente inclusivo por meio do respeito, quanto fora, influenciando as nossas comunidades.

 

Eu e você precisamos entrar nessa luta

Para você, que não é LGBT+

A diversidade enriquece. O mundo evolui a cada dia. E para se preparar para o futuro, é necessário desafiar as crenças e questionar os privilégios. É importante começar a exercer a empatia.

É importante colocar-se nas histórias de pessoas que sofreram, e sofrem, violência verbal, emocional e até física na família, dos filhos, dos colegas, da sociedade.

É preciso pensar no simples privilégio de andar de mãos dadas na rua, sem correr o risco de ser agredido ou agredida verbal ou fisicamente, ou até de perder a vida.

É partindo dessa empatia que se chega ao respeito. E, combinando respeito com conhecimento, se chega à inclusão. Alie-se aos programas de inclusão da sua empresa, já que são os aliados que fortalecem e aceleram a mudança cultural que buscamos.
 

Para você, que é LGBT+ não assumido

A vida vivida verdadeiramente dentro de seus valores é imensamente melhor do que uma vida não vivida.
 

Para todos

Juntem-se à causa. O engajamento de todos é fundamental. Temos uma responsabilidade de deixarmos o mundo cada vez melhor, tornando-o um lugar onde todos se beneficiem.

Agora é a hora de eternizarmos a bandeira e continuarmos o trabalho que começou em 28 de junho de 1969, no Stonewall Inn, NY.

Ramon Jubels, sócio-líder de IFRS, e líder do Voices, pilar LGBT+ do Comitê de Inclusão e Diversidade

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