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Extinção da LIBOR em Podcast

Especialistas analisam os impactos da extinção dessa taxa de referência interbancária.

1 de outubro de 2019

Com cerca de 30 anos de história, a LIBOR é uma das inúmeras taxas de referências interbancárias – em inglês, denominadas interbank offered rates (IBORs). É usada como taxa de referência diária nas transações internacionais em dólar americano, libra esterlina britânica, iene japonês, franco suíço e euro.

Sua base de cálculo se fundamenta em taxas teóricas derivadas de juros oferecidos para grandes empréstimos entre bancos internacionais que operam no mercado londrino. É definida por sete diferentes prazos: um dia (overnight), uma semana, um mês, dois meses, três meses, seis meses e um ano.

De acordo com o Financial Stability Board – órgão internacional que monitora e faz recomendações sobre o sistema financeiro global –, são mais de US$ 370 trilhões de contratos que, de alguma forma, estavam vinculados a LIBORs em 2014. São títulos de dívida, empréstimos e títulos hipotecários cuja quantidade só cresceu desde então.

“No início de 2012, uma investigação internacional atraiu a atenção da mídia sobre um vazamento de e-mails entre banqueiros e trouxe à tona o tema manipulação de taxas de referências interbancárias”, conta Rodrigo Bauce, sócio-diretor de Financial Risk Management na KPMG no Brasil.

O Financial Conduct Authority (FCA), entidade reguladora financeira no Reino Unido, recruta 17 instituições financeiras com porte global, que reportam o nível de negociação de taxas interbancárias para empréstimo entre bancos e, então, distribui essa informação para divulgação diária de forma dinâmica nas principais agências de notícias. “Se houver alguma manipulação de taxa antes dessa informação, há um problema no mercado muito grande”, ressalta Rodrigo.

E esse problema – mensurado recentemente – representa US$ 420 trilhões de exposição global, em contratos determinados em cinco moedas. “Desses 420 trilhões de dólares, cerca de 50% da exposição é em dólar americano”, alerta Rodrigo.

Mapa do mundo com os impostos da LIBOR

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Em 2017, o FCA anunciou plano para a reforma de IBORs, que prevê a descontinuidade da LIBOR até final de 2021.

O FCA pretende explorar transações observáveis em lugar de julgamento de especialistas. “A grande proposta seria derivar os efeitos de taxa livre de risco com base em transações observáveis de overnight, money market e compromissadas”, explica Rodrigo.

Tópicos com os impactos dessa mudança

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“Sem dúvida, o desafio será grande para o mercado financeiro de forma geral, incluindo bancos, seguradoras, corretoras, fundos de investimento, contrapartes centrais (CCPs), fundos de pensão e gestoras de recursos”, detalha Rodrigo. “Mas os efeitos de transição também serão percebidos por instituições não financeiras e usuários que operam com derivativos e títulos de dívida”, avisa.

As empresas precisarão avaliar o impacto de todos os contratos (novos e existentes), e isso pode ser um grande desafio, considerando o grande volume de operações como no mundo dos bancos. “Localizar, reunir e identificar toda a documentação relacionada e referências diretas e indiretas à LIBOR deve gerar um esforço adicional para as empresas, especialmente na organização de dados, sistemas, processos e controles internos”, lembra Rodrigo

O ambiente regulatório de cada jurisdição também será fundamental nesse processo.

Tabela com indicadores

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Outro aspecto é a precificação de instrumentos financeiros expostos, que precisarão considerar efeitos de transição entre as taxas livre de risco. Nesse sentido, o monitoramento do risco de liquidez e efeitos de risco de crédito ganham espaço nas áreas de risco, tesouraria e precificação de instrumentos financeiros. Na contabilidade são esperados debates como desreconhecimento, hedge accounting, hierarquia de valor justo, etc.

Recente levantamento indica que instituições financeiras globais estão estimando os custos de transição entre US$ 400 milhões e US$ 500 milhões e acredita-se que instituições menores não devem subestimar a magnitude dessa transição.

Já existe um movimento para amenizar os impactos da extinção da LIBOR no mercado. Em resposta a isso, a International Accounting Standards Board (IASB) emitiu em setembro de 2019 um novo guidance que ajusta as normas IFRS 9, IAS 39 e IFRS 7 para amenizar os impactos da relacionados a contabilidade de hedge. Esses requisitos são efetivos para períodos anuais com início em ou após 1 de janeiro de 2020 (com aplicação antecipada permitida).

Rodrigo, que participa de um grupo de trabalho internacional com 23 jurisdições envolvidas, e Lúcio Anacleto, sócio-líder de Accounting & Financial Risk da KPMG no Brasil, falam dos impactos gerados pela extinção da LIBOR e como a KPMG pode ajudar, no podcast que você ouve a seguir.

1 - O que é e porque será extinta

 

2 - Os impactos com a extinção da LIBOR

 

3 - Como a KPMG pode ajudar as empresas no processo de extinção da LIBOR

 

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