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Manter um negócio familiar sem sucessão?

Veja como dirigir a empresa após a aposentadoria do fundador

26 de novembro de 2019
Duas pessoas planejando como manter um negócio familiar sem sucessor.

Não há nada mais justo do que aproveitar os frutos de anos de dedicação, sem as preocupações e responsabilidades da empresa. No entanto, pode não ser tão simples se desvincular por completo e de uma hora para outra. Na hora de se aposentar, muitos fundadores tendem a se deparar com o apego afetivo ao legado e com o anseio pelo futuro dos dependentes, especialmente nos casos onde não há a perspectiva de um sucessor, seja por falta de interesse ou habilidade das novas gerações.

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Resistência em planejar a sucessão

Alguns fatores integram as principais justificativas para adiar o processo sucessório. O desconforto e os dilemas causados por tais questões limitam a visão de muitos gestores dedicados, mas sem perspectiva de futuro. Superar os obstáculos criados na relação fundador x empresa não é impossível, porém exige firmeza e organização.

Empresário sentado em uma escadaria refletindo sobre a preocupação com a sua sucessão no negócio.
Muitas vezes, o próprio gestor cria justificativas para adiar a sucessão, mas é preciso superar essa preocupação.

Desconforto com a aposentadoria

O primeiro passo a ser dado é superar a barreira que o tema “sucessão” representa para o próprio gestor. Apesar dos planos definidos e da preocupação em se aposentar, a maioria das pessoas não gosta de pensar no momento em que trabalhar não será mais uma opção. Mesmo depois de anos de atuação e garantias de receita, a ideia de passar a viver sem uma atividade incomoda. Isso porque simboliza a redução da velocidade e a conscientização da necessidade de pegar mais leve.

Insegurança em relação à fonte de renda

Quando a empresa é a principal fonte de renda para os membros da família, o futuro financeiro também pesa na decisão de se aposentar. Além disso, o possível impacto sobre outras pessoas, como colaboradores, parceiros e clientes é algo para se refletir. O que não deve resultar em impeditivos, já que existem alternativas viáveis de preservar interesses e a essência organizacional.

Processos centralizados apenas no gestor

Uma das armadilhas que impedem as empresas familiares de estarem bem preparadas para o momento de sucessão é a centralização administrativa. Geralmente, o fundador assume a maior parte das responsabilidades e tomadas de decisões, o que o torna figura fundamental e praticamente insubstituível. Aí surge a pergunta: o que acontece se ele ficar indisponível? Os processos e operações param? Delegar atribuições, promovendo a transparência de processos e a implementação de mecanismos de controle e de avaliação de desempenho são primordiais para que a empresa possa ter a continuidade de suas operações.

Visão do fundador-gestor da empresa

Neste tópico, exploram-se as percepções e a expectativa do fundador, os projetos para o futuro, as aquisições pretendidas e o estilo de vida esperado. As respostas precisam ser realistas, tanto no sentido da viabilidade como da veracidade. Isso evita frustrações e/ou conflitos de interesse.

  • Como você quer passar os próximos anos da sua vida?

  • Quanto esse estilo de vida custará?

  • Você quer manter o negócio na família?

  • Você consegue passar o controle das operações?

Visão dos familiares integrantes e dependentes da empresa

Congregar visões nem sempre é fácil, mas elas precisam ser expressadas e consideradas. A iniciativa de desvendar a opinião da família e atendê-las dentro do plano sucessório exige ponderações e concessões, tratando de um passo fundamental para guiar a atuação. Nesse sentido, vale a reflexão sobre os seguintes questionamentos:

  • Os membros da sua família possuem planos futuros relacionados à empresa?

  • Existem membros da geração mais nova que desejam gerenciar ou trabalhar no negócio?

Definição estratégica do negócio

Traçar um planejamento estratégico a ser seguido ajuda a resolver as questões diárias e atuais, mas também auxilia nos negócios futuros. Quando a essência, os critérios e os valores balizadores são identificados, fica mais fácil organizar a atuação da empresa. A problematização do plano estratégico, inclusive é uma excelente forma de alcançar os objetivos.

  • O plano estratégico da empresa está alinhado à visão e aos valores da família?

  • A empresa está posicionada para a viabilidade de longo prazo e sucessão?

  • A organização seria capaz de sobreviver em um cenário em que, repentinamente, o dono fica indisponível (ex.: idade, falecimento)?

Alternativas para empresas familiares sem sucessão

O primeiro cenário que surge na mente de quem pensa em organizações familiares sem sucessão é a venda: uma ideia que incomoda muitos gestores por ser correlacionada com o fim de uma história, que foi construída com trabalho árduo e resignação. A verdade é que o apego afetivo e o controle excessivo impedem uma visão objetiva de início; contudo, é algo que se desmistifica aos poucos por meio de informação e posicionamento estratégico.

Além de poder vender parte do negócio, diminuindo o envolvimento com a empresa, outras alternativas podem ser exploradas. O processo de incorporação atualmente acontece em diferentes níveis de operações, basta ter clareza dos objetivos e saber identificar a oferta mais adequada para o negócio.

Empresários analisando alternativas para negócios familiares sem um sucessor.
Existem diferentes opções para organizações familiares sem sucessão, por isso é preciso ter objetivos claros para escolher a ideal.

Joint venture

Diferente dos formatos tradicionais de fusões e aquisições, nos quais há uma reestruturação societária devido à compra ou a venda de ações, as joint ventures dividem aspectos operacionais entre as empresas. Esse tipo de transação pode ser realizada entre duas organizações ou mais, sem afetar a relação societária já estabelecida. Os recursos tecnológicos e otimizações podem ser repassados entre as partes, estabelecendo uma aliança estratégica.

Assim como um espelho, a saúde organizacional será o reflexo dessa relação. Torna-se arriscado tomar decisões equivocadas, fazer investimentos desastrosos e causar perdas, caso os parceiros de negócio não forem bem qualificados. Para isso não ser um problema, pesquisar o mercado e a performance dos interessados é uma preparação mais que necessária.

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A continuidade do negócio e do legado familiar

Vender parte da empresa ou delegar a gestão pode ser uma saída para tais situações. Porém, mesmo que pareça radical, a venda total também pode preservar interesses, com a continuidade ou a expansão de um legado. Tudo é uma questão de negociação, pesquisa, planejamento e um bom apoio especializado.

Sabendo, no momento da aposentadoria, quais são as direções pretendidas, os interesses do gestor e utilizando um sistema de governança corporativa adequada ao seu modelo de negócios, boa parte do percurso já estará encaminhado, visto que esses aspectos facilitam o processo de transição da gestão empresarial para o potencial comprador.

Portanto, diante da dúvida sobre o melhor recurso, é fundamental manter-se aberto às ofertas, assim como avaliá-las com o apoio de profissionais capacitados. Oportunidades de bons negócios podem ser construídos nessa parceria, abrindo caminhos para o futuro da empresa e do gestor.

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