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Advisory

Os impactos da transformação digital nos negócios

Sócio de Advisory e de Inovação, Carlos Gatti conta os desafios dessa jornada.

11 de fevereiro de 2020
Homen sentado com as duas mãos apoiadas em uma mesa. Ele está de terno e tem um celular sobre a mesa.

A transformação digital vem impactando os modelos de negócios de forma muito rápida. Novos perfis profissionais, mudanças nos processos e investimentos em novas tecnologias são fundamentais para o sucesso no mercado.

Nesse processo, a KPMG vem realizando uma série de mudanças para atender os clientes de forma cada vez mais abrangente e tecnológica. Vem promovendo também transformações internas de forma estratégica para se manter competitiva.

Na edição de fevereiro da série com lideranças da KPMG, publicada uma vez ao mês durante todo o ano, Carlos Gatti, sócio-líder de Advisory e de Inovação da KPMG no Brasil, traça um panorama das mudanças nas empresas, os desafios e como a KPMG vem se transformando. Lembrando que o acesso a cada novo conteúdo também ficará disponível por meio do QR Code do calendário da KPMG, na página do mês correspondente.

Como a transformação digital está influenciando os negócios?
O processo de transformação digital tem causado um efeito relevante sobre todas as organizações. Não existe agenda executiva hoje que não inclua esse tema como um dos mais importantes e prioritários na estratégia das organizações.

O que temos visto na prática é que muitas empresas tendem a iniciar o processo de transformação através da digitalização da relação com o cliente, em geral através de mídias digitais e aplicativos, entendendo cada vez mais as demandas e os requerimentos que influenciam de alguma forma esse modelo de consumo. Práticas relacionadas ao entendimento e alinhamento às necessidades e às experiências do cliente são muito relevantes nessa etapa da jornada.

Uma vez que se consiga estabelecer essa relação – fato extremamente complexo e para o qual possuímos equipes e metodologias específicas, considerando a necessidade de capturar dados, estruturar e qualificar esses dados, estabelecer processos, desenvolver modelos de personas, criar padrões de referência, modelos de estímulo ao consumo, etc. –, a segunda demanda e o desafio consistem em desenvolver capacidades e competências para atender esse cliente no contexto digital, mesmo que a empresa esteja estabelecida integralmente no modelo físico.

Imagine a dificuldade desse processo considerando que existe uma assimetria natural entre o modelo de consumo de um cliente tipicamente digital e um cliente acostumado ao modelo físico tradicional.

Esse é um trabalho bastante complexo, porque é preciso alinhar toda a organização a esse objetivo. Na KPMG, usamos a Connected Enterprise e a Powered Enterprise, duas abordagens desenvolvidas exclusivamente para esse objetivo, para auxiliar as empresas no desafio de transformar seu modelo de negócio para atender às novas demandas digitais e também competir com outras empresas que foram criadas e nasceram naturalmente dentro desse modelo digital.

A terceira situação, também muito comum, é que, uma vez que se tenha entendido as relações e a necessidade de um grupo de clientes, uma empresa ou um empreendedor podem chegar à conclusão de que o mercado ou aquela respectiva empresa não é capaz de atender às demandas desses clientes no modelo existente ou como está estruturada. Daí aparecem os novos modelos de negócios, tais como startups digitais criadas para atender a demandas específicas que não estão no contexto anterior das organizações.

Como a KPMG vem se preparando para atender os clientes nesse processo de mudanças?
Investimos fortemente em dar maior robustez a nossas soluções de Data & Analytics, Artificial Intelligence, Cyber, Robotics, Plataformas Digitais, Client Experience, Indústria 4.0, Cloud e muitas outras competências.

O que percebemos também é que precisávamos estar muito mais abertos a trabalhar com ecossistemas, com alianças e com parceiros, porque, com todas as transformações e na velocidade em que as mudanças ocorrem, é muito desafiador fazer a entrega de uma solução relevante para um cliente num modelo exclusivamente proprietário.

Nos aproximamos ainda mais das bigtechs  e dos ecossistemas constituídos por empresas de tecnologia e inovação. Identificamos a Distrito como um desses ecossistemas, que nos propiciava acesso a cerca de 10 mil startups, segregadas em diversos segmentos e com tecnologias digitais emergentes. Esse foi o gatilho para criarmos a Leap, que é como chamamos a aliança resultante da combinação entre a KPMG e esse hub de tecnologia e inovação. Essa iniciativa nos serviu para oxigenar a dinâmica de oferta de soluções da KPMG, combinando toda a experiência de 100 anos de uma empresa altamente estruturada e alinhada em soluções proprietárias, com o que vem acontecendo de mais recente e relevante no mundo digital. O efeito é muito poderoso, porque oferece uma nova dinâmica de prestação de serviços e uma grande diversidade de alternativas e soluções para o cliente.

E como a KPMG está se reinventando como empresa, considerando que o mercado todo busca hoje um modelo mais digital?
Desenvolvemos um novo ponto de vista de como servir os clientes dentro de um contexto muito mais tecnológico, muito mais digital, sem deixar de lado nossas características principais que são o conhecimento técnico e a relevância dos nossos profissionais.

Nesse sentido, temos trabalhado em frentes distintas, transformando gradativamente o nosso modelo core de prestação de serviços e ampliando nosso escopo e nossas abordagens de serviços através de projetos mais transformacionais e disruptivos.

Nós temos uma série de projetos sendo executados, tanto em Tax quanto na Auditoria, que começam a endereçar nosso modelo de serviço para o digital.Temos, por exemplo, a solução Chrono na Auditoria, que é a iniciativa de colocar uma grande parte dos componentes dos processos de auditoria dentro de um contexto muito mais tecnológico e digital. Temos também a transformação da nossa prática de Tax para se constituir em uma plataforma de execução de serviços digitais e muitos outros.

Quais são os principais desafios do negócio e das pessoas?
Primeiro, estabelecer a direção é fator absolutamente relevante para atingir o sucesso. Esse é o principal desafio de negócios. Estabelecer um ponto de vista e um caminho a ser trilhado.

Segundo, contar com as pessoas certas é determinante nessa jornada. A esse respeito, a KPMG tem dedicado muita energia e esforços no sentido de identificar, contratar e reter esses talentos.

É importante citar também que está sendo criado um requerimento por profissionais da era digital, e que ele ainda não possui maturidade nem talvez quantidade suficiente para atender todas as demandas do mercado.

Vemos novas competências e necessidades sendo criadas todos os dias. Novos perfis de profissionais de Auditoria, Tax ou mesmo de Advisory, combinados com experiências e especialização em arquitetura de dados, de software, de solução. São competências relativamente novas e em processo de amadurecimento. Nesse ambiente, existem duas rotas a seguir: disputar aqueles que já existem no mercado e propiciar espaço e condições para nossos profissionais se desenvolverem para atender às novas demandas de mercado. Decidimos investir fortemente em ambas. Hoje temos um processo de desenvolvimento de treinamento específico – Journey to Digital – em diversos níveis para nossos profissionais, que tem o objetivo de capacitá-los para essa nova dinâmica dos negócios, além da grade tradicional de especialização por competências.

É importante ressaltar também que o perfil do profissional resultante desse processo de transformação é um pouco diferente, porque ele trabalha com metodologias diferentes e tem modelos de associação mental diferentes. Por exemplo, designers, músicos e outras pessoas que trabalham de alguma forma conectadas com artes passam a ser muito importantes em nosso meio, porque elas têm pontos de vista distintos dos tradicionais e podem ajudar muito no modelo de soluções para clientes.

Como será a KPMG do futuro?
A KPMG é uma empresa reconhecida pelas competências que executa em Auditoria, Tax e Advisory e que construiu a habilidade de ser uma grande empresa produtora de insights para o mercado. Para isso, vamos contar sempre com uma equipe de profissionais altamente capacitada e competente para executar essas atividades.

Outra perspectiva clara é que nosso negócio deve se apoiar cada vez mais em plataformas tecnológicas. Acho que nós vamos passar por mudanças importantes ainda, bastante dirigidas pela nova influência tecnológica. Pelo menos três elementos estarão fortemente associados ao nosso dia a dia: a inteligência artificial será cada vez mais utilizada em tudo o que a gente faz; o segundo é o manuseio, tratamento e análise de dados; e o terceiro está relacionado à capacidade cloud, nos tornando muito mais capazes de absorver e trabalhar grandes volumes de dados.

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