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Energia e Recursos Naturais

Comercialização de energia em tempos de pandemia

Observar o cenário é um importante passo para gerenciar riscos.

15 de junho de 2020
por do sol ao fundo, na imagem tem dois braços esticados e as mãos indicam que estão segurando algo e acima das mãos tem uma ilustração de uma lâmpada

O mercado livre de energia cresceu consideravelmente nos últimos anos. Segundo a Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel), em 2019 esse mercado representou cerca de 30% de toda a energia consumida no país, movimentando aproximadamente R$ 134 bilhões, com perspectivas de crescimento nos próximos anos.

No entanto, vários aspectos influenciam a variação dos preços e podem representar riscos para o setor, como meteorologia, posição geográfica do consumidor, inflação, risco de crédito, liquidez e nível da demanda. Os fatores influenciam diretamente a relação entre agentes do setor elétrico local, como se tem visto no cenário atual com a pandemia de Covid-19. É o que apontam Franceli Jodas, sócia do setor de Energia Elétrica e Utilidades Públicas da KPMG no Brasil, e Rodrigo Bauce, sócio-diretor de Risco Financeiros da KPMG no Brasil.

A circular publicada pelo Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (Ibracon) em 2019 já indicou a necessidade de avaliar os modelos de operação tanto de atacado quanto de negociação. “O primeiro está, em geral, associado ao longo prazo e parte da ideia de que o comprador realmente fará uso da energia. Já o segundo, geralmente, refere-se às negociações de curto prazo e tem foco nos ganhos em variações de preços, sem a necessidade de combinar um contrato de compra com um de venda. Neste último, observa-se um grande aumento de posições alavancadas com utilização de contratos a termo, aumentando os desafios no gerenciamento de riscos em momentos de instabilidade como é o atual cenário com a pandemia”, explica Bauce.

Franceli destaca que é importante considerar também o risco regulatório e a ausência de uma bolsa de negociação. “A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) debateu, em março deste ano, a autorização para o Balcão Brasileiro de Comercialização de Energia (BBCE) atuar como administrador de mercado de balcão organizado, abrindo caminho para os planos da plataforma de negociação de derivativos de energia com registro e liquidação na BBCE”, conta.

A Bolsa de Valores de São Paulo também divulgou a intenção de entrar no setor de energia elétrica lançando uma ferramenta de pré-registro para contratos.

Os especialistas destacam a importância das iniciativas para aumentar a transparência nas operações. As evoluções regulatórias, associadas aos movimentos mencionados em curso, caminham para um futuro promissor para a competitividade do mercado livre de energia, e são fundamentais para a retomada econômica pós-Covid-19.

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