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Advisory

O valor dos jogadores durante a pandemia

KPMG apresenta uma análise do impacto da Covid-19 nos valores de mercado dos jogadores de futebol.

9 de julho de 2020
pé de jogador de futebol em cima de uma bola dentro do campo

O futebol e os outros esportes estão parados há mais de dois meses como medida de prevenção à Covid-19. Este é o maior intervalo sem atividades esportivas da história, resultando em impactos para atletas, clubes e até para a televisão.

Os atletas parados podem ter perda momentânea da capacidade física. Com o encerramento das atividades, os clubes perderam receitas de bilheteria, patrocínios, sócio-torcedor e cotas de televisão. A ausência dos jogos implicou revisões de contratos, gerando uma complexidade sem precedentes para áreas jurídicas, logísticas e financeiras relacionadas ao futebol.

Para entender de forma detalhada o impacto da Covid-19 nos valores de mercado dos jogadores de futebol, a KPMG desenvolveu o estudo “Player value not immune to pandemic: An analysis of the impact of the COVID-19 crisis on football players’ market value”, analisando todo o ecossistema do futebol e as formas como os clubes foram afetados.

O estudo aborda a origem dos problemas para os clubes e destaca como a diminuição da receita foi o principal ponto em comum para os clubes do mundo todo como agravante para a crise.

Na entrevista a seguir, o sócio-líder de Mídia & Esportes da KPMG no Brasil, Francisco Clemente, traz um panorama sobre os impactos para os clubes no país e os desdobramentos da crise no futebol.

Quais foram os impactos da pandemia para os clubes brasileiros?
Com a prática da quarentena e evidente diminuição do poder aquisitivo da maioria dos brasileiros, seguidas da inflação e desvalorização do real no câmbio mundial, os clubes brasileiros enfrentam uma restrição e/ou redução de captação de receita. Não há público nas partidas e seus torcedores não estão tendo condições favoráveis de adquirir produtos de seus times, além de a janela de transferência de jogadores neste momento estar fechada, sendo essa a principal fonte de renda da maioria dos times do Brasil. Um fato que os clubes devem atentar-se bem são suas obrigações presentes e futuras em moeda estrangeira, pois, com desvalorização gradual do real, o meio mais prudente de realizar tal operação seria com contratos firmados de câmbio, para não sofrer uma eventual desvalorização maior ainda.

No que diferem os impactos aqui e nos clubes europeus?
Grande parte da receita dos clubes europeus deve-se às vendas de produtos, marketing, patrocinadores, ingressos e produtos relacionados ao público nos estádios. Já os clubes brasileiros têm como principal fonte de renda a venda de jogadores para Europa, mesmo possuindo as mesmas linhas de receita dos clubes europeus (venda de produtos, marketing, etc.). Sendo assim, os clubes europeus conseguem se estabelecer de uma forma mais estável que os clubes brasileiros.

O que mudou na valorização dos passes dos jogadores?
A responsabilidade e o zelo do clube com o jogador. Em tempos de cuidados com o próximo, seja familiar, amigo ou colega de trabalho, os jogadores são funcionários do clube, são profissionais que utilizam diretamente sua forma física e saúde para defender o clube. E se tratando de meios legais, burocráticos ou profissionais, qualquer assinatura, término ou quebra de contrato de jogadores será mais minuciosa nos tempos atuais.

As desvalorizações das moedas dos países emergentes frente ao euro devem ajudar na venda de atletas.

Na América do Sul, o Brasil foi o país mais impactado pela pandemia até agora. Esse cenário pode prejudicar os jogadores e clubes brasileiros em relação aos demais clubes da região?
Sim. A primeira questão seria a retomada das atividades do futebol no país. Até isso ocorrer, há possibilidade de clubes ficarem insolventes.

Quais os possíveis cenários de retomada para os clubes brasileiros?
De acordo com a CBF, estão suspensas por tempo indeterminado as atividades, ressaltando-se que as federações estaduais têm livre arbítrio para decidir sobre as atividades de competições de âmbito estadual.

Como os clubes brasileiros devem se preparar para a retomada econômica?
Como toda crise, é preciso se reinventar em certos aspectos. Cada clube precisará identificar formas de aumentar e/ou captar diferentes receitas, diminuir gastos operacionais, negociar dívidas com seus credores e tentar alavancar a venda de atletas.

Para acessar o estudo completo, clique aqui.

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